Como avaliar o desconto de um orçamento de marcenaria

A pergunta deste guia é quanto desconto uma proposta suporta, dado o custo informado e a margem mínima que você escolheu.

O cliente pede “uns por cento”. A oficina responde de cabeça e só depois percebe que o preço novo não paga o que já estava listado no custo. Este guia separa três efeitos de um mesmo desconto: o corte sobre o preço, a queda da diferença em reais e a margem que sobra no preço novo.

Os números são hipotéticos. A margem mínima do exemplo é uma escolha dessa oficina imaginária, não uma meta para toda marcenaria. Para montar o custo do móvel, use o guia de preço. Para ler o que margem significa, use o guia de margem. Para escrever o que a proposta precisa mostrar, use o guia de proposta.

Desconto, diferença em reais e margem não andam juntos

Desconto sobre o preço é o percentual ou o valor tirado do preço original. A redução da diferença em reais é quanto cai o intervalo entre esse preço e o custo usado na conta. A mudança da margem é o novo percentual dessa diferença sobre o preço que sobrou.

O custo informado não acompanha o desconto. Por isso 8% a menos no preço não são 8% a menos na diferença, nem 8 pontos a menos na margem. O guia de margem já mostra essa assimetria num projeto de R$ 12.000. Aqui a pergunta seguinte é qual teto essa conta aceita quando existe uma margem mínima escolhida.

O exemplo usa um custo, uma reserva e um mínimo escolhido

Proposta hipotética de um guarda-roupa, já com preço de R$ 18.000. Esse total é premissa deste guia e do guia de proposta. O guia de preço ensina o método numa cozinha com outros valores. Não é a conta que produziu estes R$ 18.000. O custo informado aqui é R$ 11.200: material, ferragem, hora e montagem que a pessoa lembrou de lançar. A reserva deste exemplo é 5% do custo, não do preço. A margem mínima escolhida é 25% do preço.

  • Reserva = 11.200 × 0,05 = R$ 560.
  • Custo com reserva = 11.200 + 560 = R$ 11.760.
  • Diferença atual = 18.000 − 11.760 = R$ 6.240.
  • Margem atual = 6.240 ÷ 18.000 = 34,7%.

A reserva é opcional. Com reserva zero, o piso exato é 11.200 ÷ 0,75 = 14.933,333…, mostrado como R$ 14.933,33. O desconto exato até esse piso é 18.000 − 14.933,333… = 3.066,666…, mostrado como R$ 3.066,67. Cada valor exibido arredonda um terço de centavo. A soma dos dois centavos fecha R$ 18.000, mas nenhum dos dois é a divisão exata. A distância até a divisão fica abaixo de um centavo e não aparece num preço escrito em centavos. O mesmo preço e o mesmo mínimo de 25% dão outro teto quando a reserva muda. Por isso a reserva precisa estar escrita antes da negociação.

Nota de arredondamento: a divisão fica com precisão integral e a exibição segue a calculadora. Reais vão ao centavo. Percentuais vão a uma casa, subindo a casa anterior quando a seguinte é 5 ou mais. 6.240 ÷ 18.000 = 34,666…%, mostrado como 34,7%. 2.320 ÷ 18.000 = 12,888…%, mostrado como 12,9%. Esse 12,9% é apresentação. Não é o teto a digitar.

O preço mínimo segura a margem escolhida. O desconto máximo é o que cabe até lá

Preço mínimo = custo com reserva ÷ (1 − margem mínima).

11.760 ÷ (1 − 0,25) = 11.760 ÷ 0,75 = R$ 15.680.

Desconto máximo = preço original − preço mínimo = 18.000 − 15.680 = R$ 2.320. Em percentual, 2.320 ÷ 18.000 = 12,888…%, mostrado como 12,9%. Esse 12,9% é uma apresentação arredondada. Digitá-lo no campo de percentual aplica 18.000 × 0,129 = R$ 2.322 e deixa o preço em R$ 15.678, abaixo do piso de R$ 15.680. Para respeitar o teto deste exemplo, use R$ 2.320 no campo de desconto em reais e deixe o percentual vazio. Abaixo de R$ 15.680, a margem fica menor do que os 25% escolhidos neste exemplo. Nada disso torna o desconto adequado em outra oficina.

Oito por cento ainda fica acima do mínimo deste exemplo

Desconto pedido de 8%: 18.000 × 0,08 = R$ 1.440. Preço novo = 18.000 − 1.440 = R$ 16.560. O custo com reserva continua R$ 11.760. Diferença nova = 16.560 − 11.760 = R$ 4.800. Margem nova = 4.800 ÷ 16.560 = 29,0%.

Os três efeitos, lado a lado: o preço cai 8%. A diferença cai os mesmos R$ 1.440, de R$ 6.240 para R$ 4.800, e esses R$ 1.440 são 23,1% da diferença de R$ 6.240. A margem mostrada passa de 34,7% para 29,0%. Oito por cento no preço, 23,1% da diferença e uma margem de 29,0% são leituras diferentes do mesmo corte.

R$ 1.440 está abaixo do teto de R$ 2.320. A folga que resta até o piso é 2.320 − 1.440 = R$ 880. Neste exemplo, 8% ainda deixa a margem em 29,0%, acima dos 25% escolhidos. Vale para estes números.

Quinze por cento atravessa o piso

Desconto de 15%: 18.000 × 0,15 = R$ 2.700. Preço novo = R$ 15.300. Diferença = 15.300 − 11.760 = R$ 3.540. Margem = 3.540 ÷ 15.300 = 23,1% sobre esse preço novo. Essa margem de 23,1% não é a mesma conta dos 23,1% da diferença no desconto de 8%.

R$ 2.700 passam R$ 380 do teto de R$ 2.320. O preço de R$ 15.300 fica R$ 380 abaixo do piso de R$ 15.680. A margem de 23,1% fica abaixo dos 25% escolhidos. Aceitar esse pedido, com este custo e esta reserva, abandona o mínimo que a oficina do exemplo tinha escrito.

Uma proposta que já saiu a R$ 15.000 não tem desconto dentro do mínimo

Mesmo custo de R$ 11.200, mesma reserva de 5% e mesmo mínimo de 25%. O preço já enviado é R$ 15.000. Diferença = 15.000 − 11.760 = R$ 3.240. Margem = 3.240 ÷ 15.000 = 21,6%.

O piso continua R$ 15.680. O preço atual está R$ 680 abaixo dele. O desconto máximo desta conta é R$ 0. Qualquer corte afasta mais a proposta dos 25% escolhidos. O caminho, se o mínimo continuar valendo, é revisar custo, escopo ou preço para cima. Não é procurar “um descontinho” em cima de um número que já não chega.

Se o custo informado for maior ou igual ao preço, a calculadora de desconto não devolve um teto. Ela pede para revisar os valores. Custo de R$ 18.000 num preço de R$ 18.000 entra nesse caso.

Escopo, material e condição pedem custo novo

Quando o pedido passa do teto, o preço não é o único ponto da conversa. Cada alternativa abaixo muda a conta. O teto de R$ 2.320 não viaja com ela.

  • Reduzir escopo. Tirar o maleiro ou uma gaveta tira custo e também tira preço. O desconto máximo só volta a existir depois que o custo novo e o preço novo estiverem escritos.
  • Mudar material. Trocar a chapa ou a corrediça muda o custo informado. Sem esse custo novo, o piso antigo descreve outro móvel.
  • Revisar condições. Mais entrada ou prazo mais curto muda o caixa. Isso não é o mesmo que baixar o preço. Se o prazo tiver custo financeiro, ele entra no custo antes do teto de desconto. Recebimento e margem estão separados no guia de margem.

A calculadora usa estas premissas, e só estas

A calculadora de desconto pede o preço original, o custo total, a margem mínima e a reserva. A reserva é um percentual do custo. O formulário abre com 20% de margem mínima e 5% de reserva. Esses valores são o ponto de partida da tela, não uma margem recomendada. O exemplo deste guia usa 25% de propósito, para mostrar que o mínimo é o número que você digita.

A conta dela é a deste guia: custo com reserva, preço mínimo = esse custo ÷ (1 − margem mínima), desconto máximo = preço − preço mínimo, sem descer abaixo de zero. A margem que ela mostra é (preço − custo com reserva) ÷ preço. Se os campos de percentual e de reais estiverem os dois preenchidos, ela usa o valor em reais, limitado ao preço.

Ela também avisa quando a margem mínima digitada fica abaixo de 15%, e quando a folga restante é de no máximo 3% do preço original. No desconto de 8%, a folga é R$ 880, maior do que 3% de R$ 18.000 (R$ 540), então esse aviso de folga curta não aparece nesse caso. O aviso de 15% é um alerta da ferramenta. Não é a margem da sua oficina.

A calculadora não confere se o custo esqueceu montagem, não separa o aluguel do mês e não decide se a margem mínima cabe no seu trabalho. O resultado descreve os campos preenchidos.

Custo omitido, despesa de fora e margem escolhida mudam a resposta

  • Se os R$ 11.200 esquecerem a montagem, o piso fica baixo demais e o teto de desconto parece maior do que o móvel permite.
  • Aluguel e outras despesas que ficaram fora desse custo continuam existindo no mês. A parcela e o que ela não cobre estão no guia da hora. Esta calculadora não faz essa reconciliação.
  • Os 25% são a escolha do exemplo. Outra oficina, com outro mínimo, tem outro piso no mesmo custo.

Um desconto dentro do piso deste exemplo não é um desconto adequado em qualquer proposta. A margem mínima é sua. O custo incompleto empurra o teto para cima sem avisar.

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